[1970] Quermesse

 Quando chega o mês de junho, entram em cena o chapéu de palha dos sinhôzinhos, as saias rodadas das sinhazinhas, as fogueiras e a música dos sanfoneiros. Começam as festas juninas, celebradas em todo o país em homenagem a São João, o santo que batizou Jesus Cristo. A tradição, ao contrário do que se imagina, não vem do Nordeste, mas dos países católicos da Europa, onde a festa era chamada de Joanina em referência ao santo. 

Com a colonização portuguesa, o costume de celebrar o São João no mês de junho atravessou o Atlântico e se incorporou à cultura brasileira, agregando várias influências de todo o mundo. No Brasil, comidas típicas como a mandioca, o jenipapo e doces e pratos feitos à base de milho passaram a fazer parte das comemorações. Os fogos de artifício que pipocam nos céus de junho vêm da China. Aqui, também, outras manifestações folclóricas como o bumba-meu-boi e o tambor de crioulo se misturam ao universo joanino. As primeiras festas em homenagem a São João em solo brasileiro foram celebradas pelos padres jesuítas e datam do século 17. 
Mas as influências não param por aí. A tradicional dança da quadrilha nasceu na Inglaterra, entre os séculos 12 e 13, e se popularizou no meio da nobreza francesa. A dança, de passos marcados, remonta aos bailes e festas que agitavam os luxuosos salões dos palácios parisienses. As reverências dos cavalheiros para as damas e movimentos como o túnel e as trocas de braços são os mesmos. Com raízes profundas na fé católica, os festejos juninos, hoje, têm o mesmo formato das famosas quermesses promovidas pelas paróquias, com barraquinhas de quitutes e brincadeiras.
O costume de celebrar festas em torno de uma fogueira é mais antigo que a própria história – o homem primitivo comemorava o sucesso da caça ao redor do fogo, que também assava a carne. Antigos celtas e bretões também celebravam seus ritos pagãos para reverenciar a terra e as colheitas ao redor da fogueira. Mas diz a lenda que Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus, acendeu uma grande fogueira para avisar a todos do nascimento de João (Batista), seu filho. E Maria, que morava um pouco afastada, teria respondido da mesma forma ao sinal. As fogueiras têm formato específico para cada santo: 

1. SÃO PEDRO 
A pilha é construída em grupos de três e em forma de triângulo 

2. SANTO ANTÔNIO 
A madeira é empilhada em dois pares opostos, formando um quadrado 


3.SÃO JOÃO 
Em forma de cone

Hoje, cada região tem sua própria tradição. Em Minas e em São Paulo, se dança a quadrilha caipira; na Região Central do país, o comum é o saruê e, no Nordeste, o forró e o baião. Quadrilha que se preze tem que ter casamento na roça, com noivos, padre e convidados. É dançada em pares, com um marcador orientando os casais com comandos. Veja os significados: 

• Balancê – Balançar o corpo no ritmo da música, sem sair do lugar 
Anavan –Seguir em frente; caminhar agitando os braços para cima 
Returnê –Retornar aos lugares, depois de um determinado passo 
Tur – é uma volta que o casal dá junto, pela direita 
Cumprimento às damas – Dançando, os cavalheiros vão às damas e fazem uma reverência 
Cumprimento aos cavalheiros – As damas vão aos cavalheiros e os cumprimentam, abaixando e segurando os vestidos pelas pontas 
Damas e cavalheiros, atenção para a troca – Este comando significa que as damas devem ir para o centro e os cavalheiros para o lado de fora do círculo (ou vice-versa) 
Passeio na roça – É o ato de ficar passeando em círculos 
Trocar de dama – Os cavalheiros dão um passo à frente, pegando a dama seguinte; repete-se o passo até que voltar ao par inicial 
Trocar de cavalheiro – É um troca-troca, mas apenas as damas se movimentam 
Túnel – Formar duas filas com damas e cavalheiros, um de frente para o outro, segurando as mãos, no alto; o último casal da fila passa por dentro do túnel; um a um, todos os pares fazem o mesmo 
Caminho da roça –Damas e cavalheiros entram em fila indiana e caminham, dançando 
Olha a cobra – Todo mundo pula, para fugir da cobra; no pulo, os pares giram no ar e voltam a caminhar no sentido contrário ao que estavam indo; quem comanda, grita "é mentira!" e todos pulam girando e voltam a caminhar no sentido inicial 
Olha a chuva – Damas e cavalheiros põem as mãos sobre a cabeça, para se proteger da chuva; o marcador grita "é mentira" e todos abaixam as mãos 
Caracol – Todos em fila indiana e começam fazer um movimento em circular, no sentido do centro da roda, formando um caracol; o marcador grita "desviar", o caracol gira ao contrário e se desfaz 
Grande roda – Damas e cavalheiros formam uma grande roda com as mãos dadas. Ao comando, damas vão ao centro, em seguida os cavalheiros 
Coroar damas – Cavalheiros erguem os braços sobre as cabeças das damas 
Coroar cavalheiros – Damas erguem os braços sobre as cabeças dos cavalheiros 
Despedida – Os pares saem da pista de dança, acenando para o povo, às vezes, em passo de galope.

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